5 de out de 2010

Segundo turno: Dilma pode aprender com Obama!

Este ordinário blogueiro já está utilizando deste humilde espaço para divulgar informações, reportagens e tecer sua opinião, ainda que de forma amadora, mas sincera e com um mínimo de embasamento. 

Este blogueiro está contribuindo para a pluralidade de informação, livre circulação das idéias e democratização do acesso a banda larga, promovido por Lula, e que será aprofundado por Dilma Rousseff.

Segue abaixo o excelente artigo de Mauro Carrara, retirado da Revista NovaE.

Eduardo Pessoa

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Segundo turno: como Obama pode auxiliar Dilma

Mauro Carrara

No início de 2008, a campanha de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos empinava-se em curva ascendente. A cada dia, o afro-americano ganhava mais admiradores e apoiadores, especialmente entre os jovens

Até que os jornais publicaram com alarde um sermão do ativista Jeremiah Wright, pastor de sua congregação, a Trinity United Church of Christ.

Sem constrangimento, Wright acusou a sociedade americana de praticar o racismo, afirmou que o terrorismo doméstico era responsável pelos ataques de 11 de Setembro de 2001 e, por fim, sugeriu que os negros amaldiçoassem os Estados Unidos.

Para muitos analistas, essa era a "bala de prata" dos republicanos. Muitos consideraram definitivamente sepultado o sonho democrata de conduzir um negro à Casa Branca.

A reação, no entanto, se deu de maneira imediata, antes que os eleitores pudessem atribuir a Obama o desatino de seu conselheiro espiritual.

Em 18 de março daquele ano, no Centro Nacional da Constituição, na Filadélfia, o candidato proferiu aquele que seria considerado um dos melhores e mais persuasivos discursos da história política do país.

Denominado "Nós, o povo, com o objetivo de formar uma nação mais perfeita", foi composto a partir da arrumação de 4.500 palavras e verbalizado em 37 minutos e 39 segundos.

Por meio de uma análise criteriosa de fatos e ideias, Obama mostrou que não compartilhava das crenças radicais e divisionistas do religioso.

Ao mesmo tempo, evitou condená-lo publicamente, declarando-se ciente da conjuntura histórica que levara o amigo a expor aquele conjunto de opiniões.

Tratando da questão das raças, o democrata admitiu a dificuldade de uma perfeita união, mas defendeu as gestões pelo aprimoramento contínuo.

A mensagem clara, densa e vigorosa anulou imediatamente os efeitos negativos das declarações do religioso. Virou no mesmo dia um megahit no Youtube.

Na época, uma pesquisa da rede CBS mostrou que 69% dos americanos haviam considerado bom o discurso. Dos entrevistados, 71% afirmaram que Obama tinha explicado de maneira satisfatória suas relações com o pastor.

Segundo os especialistas em marketing político, a estratégia obteve sucesso porque a resposta foi rápida e, sobretudo, honesta. Obama não escondeu sua amizade com o pastor, tampouco negou as tensões raciais no país.

Porém, foi capaz de condenar os exageros de Wright e, ao mesmo tempo, explicar as razões desse ressentimento.

Esse é apenas um exemplo do excelente trabalho realizado pelos democratas para proteger o candidato dos ataques da oposição conservadora.

Uma central anti-boatos na Internet funcionou durante toda o longo período de campanha. Tão logo era levantada uma calúnia já se apresentava a correta versão dos fatos.

Uma ágil e organizada equipe de advogados também levou às barras dos tribunais alguns dos terroristas virtuais difusores de hoaxes e outras peças criminosas de ataque à reputação do candidato.

No Brasil, a eleição presidencial tem mostrado cenário semelhante, mas pela metade. Dilma Rousseff vem recebendo há meses as pedradas da grande mídia, dos religiosos caluniadores e dos sabotadores ficcionistas do universo digital.

Aqui, tal como lá.

A diferença é que, neste lado do Equador, não há qualquer defesa estratégica contra o bombardeio diário.

Não há esclarecimento sobre a maior parte das acusações. As respostas eventuais são tímidas e mal divulgadas. Não há notícia de qualquer processo judicial contra os responsáveis por crimes de calúnia, difamação e injúria.

O espaço no horário gratuito da TV e do Rádio jamais tem sido utilizado para desmentir boatos, expor o verdadeiro pensamento da candidata ou para protestar contra o jogo sujo das células underground de envenenamento informativo a serviço da candidatura conservadora.

Noticiou-se que assessores da campanha de Obama, como Ben Self, orientariam seus colegas brasileiros da coligação de centro-esquerda.

Se vieram, esqueceram-se da labuta. Devem estar aproveitando os prazeres dos bares cariocas ou das praias baianas.

Talvez não tenham ainda se reunido com Marcelo Branco, o "responsável" pela campanha de Dilma na Internet. Aliás, na fase decisiva do combate eleitoral, a participação do especialista faz jus a seu sobrenome.

Portanto, considerada a dificuldade do segundo turno, convém convocar o próprio Obama para a tarefa educativa. Depois de ganhar uma camisa autografada da Seleção Canarinho, ele deve essa ao povo brasileiro. 

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