4 de mar de 2011

Novo endereço!

O blog Bagunça das Gavetas vai funcionar em novo endereço. 


O link é mais curto e fácil de memorizar. A bagunça continua a mesma. Desengavetando idéias para um novo mundo.

Eduardo Pessoa

3 de mar de 2011

Prostituição: vale a pena?

"A violência para uns atrai e fascina, para outros desespero, vontade de fugir..."
(Da Guedes - Tô Cansado)

"Bruna Surfistinha", filme que está em cartaz nos cinemas, não pretende inventar a roda. Nem a prostituição. Mas ela inova na comunicação com os clientes. O uso do blog é uma inovação na relação entre cliente-garota de programa.

O blog vira febre, numa época em que ter blog era para poucas. A blogosfera, como conhecemos hoje, sequer engatinha em 2005. O que se tem são tentativas de comunicação alternativas à grande mídia.

Para se ter uma idéia, os blogs "explodem" em 2004, com jornalistas criticando a gestão do Governo Bush. Ela inicia a idéia de blog em 2005, como meio de divulgar o dia a dia dos seus programas. Analisando o filme, os programas são rentáveis.

Por quê cada vez mais jovens e mulheres recorrem à prostituição?Independência financeira e o ganho rápido e fácil são algumas respostas.

Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), 72,31% das mulheres de 18 a 39 procuraram emprego. No mesmo estudo, 53,63% de trabalhadores inativos na mesma faixa etária, não procuram emprego pois "o salário oferecido é sempre muito baixo".

Analisando a pesquisa do IPEA pelo sexo, 44,10% das mulheres se recusariam a trabalhar por salários baixos. Para as jovens entre 18 e 39 anos, o salário "mínimo" para se trabalhar é de R$ 758,57.

No filme, Bruna sai de casa por conflito com o irmão e por descobrir que é adotada. Ela tem 17 anos, e se aloja em um hotel com mais 4 mulheres, todas prostitutas. Ela submete seu corpo ao sabor dos clientes para ganhar R$ 100,00 (R$ 60,00 da "casa" e R$ 40,00 para ela).

A matemática da prostituição é simples e atraente: uma garota de programa atende em média 5 clientes por dia, cada um pagando R$ 40,00.


5 x R$ 40,00 = R$ 200,00

Imagine o amigo leitor que ela atenda esses mesmos 5 clientes, que dão a ela o lucro de R$ 200,00, durante 1 mês (30 dias).

R$ 200,00 x 30 dias = R$ 6.000,00

Somente cargos altos em empresas e salários de nível superior no Serviço Público estão próximos desse patamar.

Abandonar a vida de garota de programa se torna tarefa árdua. Dinheiro fácil, carros importados e a vida de luxo e glamour se tornam elementos atrativos. Sinal disso é que o mercado do sexo movimenta, por ano, R$ 500 milhões com boates, motéis, artigos de sex shop e casas de massagem. Mas os números, apesar de atraentes, estão incompletos.

O que os números não consideram é que em um universo de 1,5 milhão de garotas de programas no Brasil, somente 8% delas faturam acima de R$ 2.500,00. São chamadas de "garotas de luxo".

A maioria está na rua, vendendo sexo por R$ 10,00 ou R$ 20,00. Em muitos casos, até menos que isso. Vendem o corpo por pouco, para pagar aluguel dos hotéis onde moram e para sustentar o vício com bebida e drogas.

Boa parte das garotas de programa que atuam na rua têm problemas de depressão e estresse. Além disso, sofrem com agressões verbais e físicas dos clientes.

As mulheres da estrada representam a maior parte das garotas de programa. Setenta por cento (70%) tem formação de 1º grau e 50% delas ganham entre R$ 160,00 e R$ 700,00. Um dado bem diferente da matemática "perfeita".

Mas a vida de Bruna Surfistinha não é só de sorte. O padrão de beleza aliado ao status de classe média alta, contribuem para sua ascensão rápida. Prova disso é a compra de uma cobertura no Centro de São Paulo. Tudo com dinheiro da prostituição.

A nova compra lhe rende clientes com maior poder aquisitivo, mais dinheiro e fama. O blog ela usa a seu favor: divulga fotos, conta detalhes e dá "nota" aos seus clientes. Os comentários e pedidos explodem. Bruna Surfistinha se torna um fenômeno de mídia.

Encarar de frente

Apesar de todo o dinheiro e fama, é necessário analisar com cuidado a questão da prostituição. Tida como a profissão mais antiga do mundo, ela penetra lares, ruas e a internet. Destrói famílias, lares e reputações "ilibadas".

Em linhas gerais, trata-se de uma atividade profissional não reconhecida, portanto, ilegal. Ainda assim, movimenta bilhões de dólares e é a terceira atividade ilícita mais lucrativa, perdendo para o tráfico de drogas e a venda ilegal de armas.

Enfraquecer a ilegalidade da prostituição passa não somente por uma rede interligada das polícias, mas por legalizar a profissão, oferecer condições dignas de saúde para as garotas de programa e transpôr a barreira mais difícil do processo: a hipocrisia e exclusão.

Entre as condições, estão os exames períodicos para acompanhamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis. Passa também por acompanhamento psicológico, pois muitas sofrem com a violência física e psicológica.

As garotas de programa existem. É tolice acreditar na inexistência delas. O Estado deve ser cobrado para que elas tenham acesso à cidadania.

Por outro lado, criar a cultura de desglamourização da prostituição também é salutar. Uma dessas formas é criar um novo marco regulatório para a mídia. A novela deve deixar de ser a única forma de entretenimento. Custa caro e é um produto de mídia perverso. É deseducativo.

A impressão que fica é que se prostituir "vale a pena".

Será que vale?

Eduardo Pessoa

1 de mar de 2011

CBF: futebol emburrece o povo!

Para ele, futebol deixa o povo "desinformado".
Este bagunceiro publica abaixo o teor da argumentação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na 17ª Vara Cível de São Paulo. Nela, a CBF aparece como ré no processo conhecido como a "máfia do Apito".

Entre os argumentos apresentados pela entidade, o de que "o futebol não tem função social relevante".

Para matar a curiosidade dos leitores, deixo abaixo com o texto. Ele foi retirado do blog do Nassif.

Eduardo Pessoa

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Da Folha

Para CBF, futebol serve à "desinformação do povo"
MÁFIA DO APITO
Entidade desdenha de seu esporte em defesa na Justiça
DE SÃO PAULO

Para a CBF, "o futebol não tem interesse social relevante". A entidade que dirige a modalidade no país também acredita que o futebol contribui "para a desinformação do povo, já de si mal aparelhado intelectualmente".

As conclusões acima estão na argumentação que a entidade apresentou à 17ª Vara Cível de São Paulo, para se defender no caso da "Máfia do Apito", no qual é ré.

O juiz José Paulo Camargo Magano, da 17ª Vara Cível de São Paulo, condenou CBF, Edilson Pereira de Carvalho e Nagib Fayad ao pagamento de R$ 160 milhões. Federação Paulista de Futebol, Paulo José Danelon e novamente Fayad foram condenados a pagar outros R$ 20 milhões.

Trata-se de decisão de primeira instância, à qual cabe recurso. CBF e FPF já avisaram que vão recorrer.

As condenações se deram "solidariamente". Na prática, significa que, se um réu não tem condições de pagar, o outro tem que arcar com a multa -isso em caso de condenação, encerradas as possibilidades de recurso.

"O Nagib [Fayad] está em estado de insolvência civil, não tem dinheiro para nada, está respondendo até ações da Receita Federal por sonegação de impostos", disse o advogado de Fayad, Eduardo Silveira Melo Rodrigues.

O juiz Camargo Magano sustenta, em sua sentença, que não se pode atribuir relação entre analfabetismo e paixão pelo esporte. Cita a popularidade do Super Bowl nos EUA e os estádios cheios na Europa para rebater a argumentação da CBF.

Em sua defesa, a confederação alega ainda que uma condenação poderia levar a entidade "à insolvência".

Em 2009, a CBF faturou cerca de R$ 200 milhões só com patrocínios. Declarou ainda lucro de R$ 72 milhões. A tendência é que as cifras cresçam em 2010, pois novos contratos foram fechados.

Para a Justiça, a alegada ameaça de insolvência é "precipitada" e "alarmista".

Outro argumento da CBF é de que não estaria, entre suas finalidades, "organizar campeonatos e jogos de futebol".

A sentença aponta ainda que a CBF agiu "com má-fé". Carlos Eugênio Lopes, advogado da entidade, não foi encontrado para comentar.

Trânsito: desigualdade nas relações


Passarelas da Estrada Parque Taguatinga-Guará (EPTG). Foto: Secretaria de Transporte do GDF.

Poucos espaços sociais refletem de forma tão intensa a desigualdade entre os pares como o trânsito. O episódio de Porto Alegre, em que um motorista atropela em massa ciclistas é um retrato fiel e lamentável do relacionamento no trânsito.

Apesar dos discursos e de legislações voltadas para a inclusão e para a institucionalização da cidadania, no relacionamento dentro do trânsito, as coisas acontecem de forma diferente.

O automóvel, cujo objetivo era locomover de forma rápida e segura pessoas e famílias, se tornou em um impecilho para a mobilidade urbana, além de uma "arma" nas mãos de motoristas imprudentes.

Dados do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (DETRAN-DF), do ano de 2009, mostram que Ceilândia foi a Região Administrativa (RA) com maior número de acidentes envolvendo ciclistas. O Distrito Federal pulou de 723 caso em 2000 - número bastante elevado - para 1078 já no ano de 2007, saltando para mais de 1200 casos em 2009.

O aumento no número de acidente envolvendo ciclistas, pedestres e automóveis está na mudança de foco que o GDF deu, ao longo dos governos, para essa relação.

Os investimentos do DETRAN-DF em campanhas educativas, com teatro infantil nas escolas e propagandas institucionais - Panfletos, Rádio e TV - são insuficientes para a conscientização do motorista, analisando os dados divulgados acima.

As passarelas, espaços de interação entre o pedestre e as avenidas também é pouco valorizado. Além disso, falta uma legislação que vincule a conservação e manutenção das passarelas aos estabelecimentos comerciais adjacentes.

Isso significa que um Supermercado, Shopping ou Loja que construir seu estabelecimento próximo a uma passarela, seria responsável por sua conservação e manutenção.

Quantos clientes esses estabelecimentos perdem por terem passarelas construídas desvinculadas de suas lojas?

Quantos usuários perdem tempo (precioso!) andando metros e mais metros para chegar no ponto de ônibus mais próximo, ou para descer nele e se dirigir ao trabalho?

Pensar em mobilidade urbana, respeito e sobretudo cidadania passa também por um conceito de interação entre os meios. A cidade não "dialoga" sozinha, sem pessoas.

Pensemos nisso...

Eduardo Pessoa