1 de mar de 2011

Trânsito: desigualdade nas relações


Passarelas da Estrada Parque Taguatinga-Guará (EPTG). Foto: Secretaria de Transporte do GDF.

Poucos espaços sociais refletem de forma tão intensa a desigualdade entre os pares como o trânsito. O episódio de Porto Alegre, em que um motorista atropela em massa ciclistas é um retrato fiel e lamentável do relacionamento no trânsito.

Apesar dos discursos e de legislações voltadas para a inclusão e para a institucionalização da cidadania, no relacionamento dentro do trânsito, as coisas acontecem de forma diferente.

O automóvel, cujo objetivo era locomover de forma rápida e segura pessoas e famílias, se tornou em um impecilho para a mobilidade urbana, além de uma "arma" nas mãos de motoristas imprudentes.

Dados do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (DETRAN-DF), do ano de 2009, mostram que Ceilândia foi a Região Administrativa (RA) com maior número de acidentes envolvendo ciclistas. O Distrito Federal pulou de 723 caso em 2000 - número bastante elevado - para 1078 já no ano de 2007, saltando para mais de 1200 casos em 2009.

O aumento no número de acidente envolvendo ciclistas, pedestres e automóveis está na mudança de foco que o GDF deu, ao longo dos governos, para essa relação.

Os investimentos do DETRAN-DF em campanhas educativas, com teatro infantil nas escolas e propagandas institucionais - Panfletos, Rádio e TV - são insuficientes para a conscientização do motorista, analisando os dados divulgados acima.

As passarelas, espaços de interação entre o pedestre e as avenidas também é pouco valorizado. Além disso, falta uma legislação que vincule a conservação e manutenção das passarelas aos estabelecimentos comerciais adjacentes.

Isso significa que um Supermercado, Shopping ou Loja que construir seu estabelecimento próximo a uma passarela, seria responsável por sua conservação e manutenção.

Quantos clientes esses estabelecimentos perdem por terem passarelas construídas desvinculadas de suas lojas?

Quantos usuários perdem tempo (precioso!) andando metros e mais metros para chegar no ponto de ônibus mais próximo, ou para descer nele e se dirigir ao trabalho?

Pensar em mobilidade urbana, respeito e sobretudo cidadania passa também por um conceito de interação entre os meios. A cidade não "dialoga" sozinha, sem pessoas.

Pensemos nisso...

Eduardo Pessoa

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