23 de set de 2010

Dilma e os Rotweillers da mídia!

O então candidato a Presidência da República, Ciro Gomes (PSB-SP) disse que a presença de José Serra (PSDB) na campanha eleitoral é sinônimo de baixaria.

E disse mais: que ele - Serra - seria capaz de passar um trator por cima da mãe.

Pois bem! 

Circula pela internet um vídeo chamado "O Brasil não é do PT", da coligação de José Serra, "O Brasil Pode Mais". Reproduzo abaixo:


Concordo: o Brasil não é do PT, mas também não é do PSDB, do DEM, do PPS, de nenhum partido político. O Brasil pertence ao povo que o constituiu e que por séculos foi usado como massa de manobra pela elite nacional.

A elite, caracterizada na figura de José Serra, cuja saudade do poder lhe sobe a cabeça diariamente, conta com o apoio incondicional e irrestrito de alguns veículos de comunicação, para reverter o irreversível: a vitória de sua adversária, Dilma Rousseff (PT) da vitória no dia 03 de Outubro, ainda no 1º turno.

O vídeo, que faria inveja a Goebbels (Secretário da Propaganda Nazista de Hitler), é (mais) uma tentativa de José Serra tentar levar o pleito para o segundo turno. 

Embora a Datafolha tenha antecipado em 1 dia a divulgação de sua última pesquisa eleitoral, os institutos mineiros Vox Populi e Sensus mostram que as denúncias levantadas pelos veículos Pró-Serra não afetaram o resultado divulgado nas semanas anteriores.

Segundo eles, Dilma está estável, na casa dos 50%, enquanto Serra aparece com 24%. Na Datafolha, a candidata do PT aparece com 49% e o candidato do PSDB com 28%. Se compararmos os dados, houve evolução de Serra em 4 pontos e queda de Dilma em 1 ponto. A margem de erro é de 2 pontos percentuais na Datafolha.

Ataque midiático

No vídeo, Serra e sua coligação afirmam que o Partido dos Trabalhadores (PT) cerceou a liberdade de imprensa. São emblemáticas as imagens da televisão sendo amordaçada, à la Capitão Nascimento, o rádio com fita durex na "boca" e os jornais com suas manchetes apagadas.

Investigar e apurar os fatos é tarefa primordial da mídia.

No entanto, o que se vê é um engajamento político-midiático por parte dos grupos que se utilizam de sua prerrogativa e de princípios como imparcialidade e liberdade de expressão para fazer campanha de forma desinibida ao candidato do PSDB.

Censura?

Durante os oito anos em que foi Presidente da República, Lula teve um relacionamento difícil com a imprensa. Anualmente, o convívio com a mídia, em especial os veículos que hoje se dizem "amordaçados", foi ficando intragável. 

Mensalão, Operação Lunus 2006, Quebra de Sigilo da filha de Serra são apenas alguns capítulos desse difícil convívio, cujos relatórios e dossiês, obtidos de forma ilegal, serviram para manipular o resultado das eleições. Não ganharam, mas levaram para o segundo turno, sempre que puderam.

Não é este blogueiro que faz essas afirmações. Jornalistas experientes como Rodrigo Vianna e Luiz Carlos Azenha, que já trabalham na Rede Globo, contaram (e contam) os instrumentos e métodos utilizados para denegrir, em rede nacional ou nas manchetes seus adversários políticos.

Apesar de toda pancadaria por parte desse conglomerado político-midiático, Lula não reclamou e nem censurou. Pelo contrário: arregaçou as mangas e trabalhou para o povo que lhe elegeu. Faltando menos de duas semanas para as eleições, Lula se despede do governo com 80% de aprovação.

E isso deixa o PSDB de cabelo em pé. Portanto, quando Ciro Gomes disse que Serra na campanha é sinonimo de baixaria, ele não dizia em vão. Vale lembrar que Serra usou a própria filha, Verônica Serra, para imputar a culpa da quebra de seu sigilo fiscal ao PT.

O que os veículos pró-Serra não dizem é que V. Serra era sócia-proprietária de uma empresa, Decidir.com, que violou os dados de mais de 60 milhões de brasileiros. E José Serra, então governador de São Paulo, sabia do ocorrido. 

O que ele fez? 

Nada. 

E agora se indigna e fica enfurecido, como os rotweillers do vídeo.

A revista CartaCapital e seu jornalista Leandro Fortes noticiaram o episódio da Decidir.com. Ele fez com detalhes, com rigor, ouvindo os dois lados da história, sem omissões ou partidarismos.

A matéria, pela gravidade das informações levantadas contra Serra e sua família, foram publicadas nos meios de comunicação das nove famílias, nas palavras de Lula? 

Não.

Segundo Eliane Catanhêde, a revista "não tem credibilidade". Entre os meus botões, pergunto se Veja, Folha de São Paulo e outros veículos possuem gabarito para fazerem jornalismo imparcial, objetivo e "limpo". 

Difícil...

Os resultados das pesquisas e a atual conjuntura midiática revelam um cenário preocupante: um engajamento feroz e irracional da mídia.Uma reforma, isto é, desconcentrar o poder midiático não é questão de necessidade. 

Se a candidata do PT confirmar nas urnas o que vem confirmando nas pesquisas, sua governabilidade poderá estar prejudicada. Uma Ley de Medios no Brasil será vital para seu governo.

Quem se lembra da sabatina de Dilma Rousseff ao Jornal Nacional? O jornalista(?) William Bonner teve que ser interrompido pela esposa e também âncora (ou seria o contrário?), Fátima Bernardes. Vale a pena ver de novo:


O diploma de jornalismo, já combalido pela decisão do Supremo Tribunal Federal, está tendo seu golpe de misericórdia diário com a atuação questionável da mídia. Em especial dos veículos que apoiam José Serra. 

Não vamos nos enganar: existem veículos que apoiam a candidatura de Dilma.  CartaCapital declarou abertamente em seu editorial apoio a petista.

Pergunta: qual dos veículos que apoia Serra admitiu sua posição? 

Nenhum.

Embora façam de forma escancarada. Só não enxerga quem não quer ver. Quem não se lembra do jornalista William Waack, do Jornal da Globo?

Na edição do dia 27 de Agosto último, durante a exibição da matéria, saiu um sonoro "Cala a Boca!". Pergunta: terá sido para Dilma ou para alguém do estúdio que fazia barulho?


A justificativa até hoje não apareceu.

Mais uma vez, caso seja eleita, a candidata terá que encarar de frente as oligarquias midiáticas. Uma Ley de Medios é importante para diminuir o poder de influência e o tráfico de informação nas mãos de Globo, Veja, Folha e Co.

Quem não se lembra do comício de Dilma no Rio de Janeiro? O jornal Folha de Sâo Paulo divulgou matéria falando que Dilma sucateou o sistema elétrico gaúcho e que fez o mesmo com o Brasil. 

Veja o vídeo:


As contas da então Secretária de Energia e posteriormente Ministra de Minas e Energia foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do RS e pelo TCU, respectivamente.

A Folha de São Paulo noticiou o fato?

Não.

Mas a FSP noticiou porém que a empresa contratada durante sua gestão em 1997 também foi contratada em 2009, quando já não era Ministra da Casa Civil. Muito menos da Minas e Energia.

O que uma coisa tem a ver com a outra?

Nada. 

Mas vale tudo, absolutamente tudo, para ganhar a eleição: inventar matérias, entrevistas fontes de reputação duvidosa (leia-se: Quicoli), associar fatos desconexos a Dilma e ao PT.

A medida parece não surtir o efeito desejado. Pela oposição. A campanha de Serra poderá sair derrotada no dia 03 de Outubro. 

O que irá acontecer com o PSDB? Vai sumir? Ficará pequeno? Aécio vai sair e fundar um novo partido?

Fazer oposição é difícil para quem sonha com o poder. Mas fique tranquilo: tudo não passa de um sonho.

O Brasil vive outra realidade. 

Eduardo Pessoa

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