9 de nov de 2010

Avante, mulheres!

Elas estão rindo dos homens!
Nesta terça-feira saíram duas pesquisas mostrando o perfil da Classe C, que ascendeu para a classe média nos últimos oito anos. A pesquisa mostra que as mulheres estão cada vez mais numerosas na vida socioeconômica do país.

E isso é bom.

Segundo a pesquisa Data Popular, 15 milhões de mulheres estão na Classe C, e têm entre 16 e 24 anos. Comparando com os dados do Ibope, a Classe é predominantemente jovem e afrodescendente.

As pesquisas também mostram que as mulheres na Classe C têm mais responsabilidades e são chefes de núcleo familiar. Segundo o Data Popular, enquanto 25% da renda na Classe A vem das mulheres, essa porcentagem aumenta para 41% na Classe C e 29,4% das mulheres na Classe C chefiam os lares, coisa que 19,6% das mulheres na Classe A fazem.

Os dados revelam um retrato novo no Brasil: as mulheres deixaram de lado as posições de submissão, de cuidados com o lar para enfrentarem o mercado de trabalho, ter renda e assumirem novas responsabilidades. A eleição de Dilma Rousseff é resultado deste novo Brasil que está surgindo.

O dado ainda preocupante se registra sobretudo na Classe A, onde as estruturais conservadoras são mais consolidadas e a mulher ainda não goza de tanta participação, segundo as pesquisas. Embora tenham assumido responsabilidades como as mulheres da Classe C, as mulheres de classe média contribuem com somente 25% da renda e somente 19,6% são chefes de família.

Mulher sozinha, mais dinheiro

A pesquisa não diz se essas mulheres são casadas ou não.

Analisando os dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é possível notar que a maior quantidade de casamentos ainda é entre as jovens de 20 a 24 anos, com 29,7%, segundo da faixa que vai dos 25 aos 29 anos (28,5%).

Analisando ainda outra pesquisa, da Fundação Getúlio Vargas, as mulheres de maior idade e que ganham entre R$ 10 e R$ 15 mil por mês vivem sozinhas. No Distrito Federal, 44,2% das mulheres acima de 20 anos vivem só e no Rio de Janeiro 43,10%.

E isso também é bom, pois mostra que as mulheres estão se dedicando mais a vida profissional e escolhendo se querem estar acompanhadas ou não. Outra prova dessa independência é que as relações conjugais não-oficiais aumentaram de 4,39% para 16,53%, segundo pesquisa da mesma FGV.

A mulher nas eleições

Com todos esses avanços que o Brasil está experimentando, não é ainda possível dizer que as mulheres não sejam vítimas de preconceito e violência.

Durante a última campanha eleitoral, a figura de Dilma Rousseff foi acusada de comer criancinhas, de ser a favor do aborto e de que "não daria conta" de governar. Isso sem falar de que a "falta de macho" a estava deixando nervosa.

São preconceitos infelizmente enraizados na cultura popular, em que o "macho" (ou a falta dele) seriam os determinantes para sua felicidade e sucesso. A julgar dos dados acima, o elemento "homem" deixou de ser determinante.

A cada dois dias, uma mulher morre por conta do aborto, em clínicas clandestinas e os casos de violência e estupro ainda são elevados, apesar de termos a Lei Maria da Penha.

Avanços para o futuro

A candidata Dilma Rousseff abriu caminho para que a candidatura e a vitória de mulheres na política não seja um fato "extraordinário", mas sim corriqueiro. Que seja institucionalizado!

Não é necessário ser mulher para aderir a causa de igualdade de gênero, mas cabe sobretudo as mulheres se unirem em torno dessa luta de igualdade entre gênero. As mazelas que o mundo vive têm em sua raíz a diferença de gêneros.

Aprendi com @wellenlima. Lição aprendida, lição difundida.

Cabe a elas, principais interessadas no assunto, consolidar os avanços já feitos e criar novas oportunidades para o futuro. O país só tem a ganhar.

Eduardo Pessoa

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