13 de out de 2010

A briga das avós

Este blogueiro, cuja avó vem de uma cidade distante, no interior da Paraíba, conversou sobre política com ela, no domingo, dia 03. Na lucidez de seus 70 anos, muito bem vividos e sofridos, ela mostrou sua indignação.

Ela se perguntava por qual motivo Lula, nordestino "porreta", que fez o Brasil mudar, que nas lindas palavras ditas por ela, "acabou com a dívida externa", tinha lançado uma candidata que era "contra Jesus".

- Vó, o que dizem contra ela é mentira! - disse, calmamente, enquanto degustava um aperitivo.

- Mas ela disse que "nem Jesus tiraria a vitória dela" - retrucou minha avó.

- Vó, mas aquilo é mentira, a voz não é a dela - prossegui no assunto.

E ela, com sua sabedoria popular, perguntou:

- Você está duvidando de sua avó?

Este blogueiro, quase 30 anos mais novo que a avó, não poderia de forma alguma desrespeitá-la, embora discorde profundamente da forma como a candidatura tucana se apossou dos meios midiáticos, promovendo uma campanha baixa e sórdida.

Debaixo da gentileza exibida na televisão, acenando para uma falsa cordialidade, se esconde uma troca incessante de pontapés nas canelas.

Na última sexta-feira (08) este blogueiro retomou o assunto com a avó sobre política. Enquanto era exibida na TV a nova propaganda eleitoral da coligação de Dilma, ela me perguntou:

- Você vai votar de novo nela?

- Sim - foi minha resposta imediata.

Expliquei que somente ela daria continuidade ao que Lula fez na política e na economia, em que ela havia debruçado elogios ao presidente tão nordestino quanto ela.

Ela mudou de visão quando sinalizei que Serra era contra os nordestinos. E mais: sinalizei também que ele quer privatizar todas as empresas, exatamente como o Fernando Henrique Cardoso fez.

De antipatia por Dilma, minha avó agora nutria simpatia, depois das declarações de Serra. Ela disse que não quer alguém disfarçado de FHC novamente no poder.

Amém!

Eduardo Pessoa

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