13 de out de 2010

Serra e o Mar de Lama

"A tua piscina tá cheia de ratos, suas idéias não correspondem aos fatos..."
O tempo não pára, Cazuza

A coisa está ficando preta no ninho tucano. Provocado por Dilma no debate do dia 10, da rede Bandeirantes, Serra silenciou quando questionado sobre a existência de Paulo Vieira de Souza, conhecido por "Paulo Preto".

O cara sumiu com R$ 4 milhões arrecadados para a campanha tucana, que não foram declarados à Justiça Eleitoral. Este blogueiro não ouviu nenhum berro da Drª Sandra Cureau sobre o assunto.

Serra e a Globo esconderam Paulo Preto do noticiário, mas a Record mostrou com detalhes, no horário nobre. Quem viu na Record, soube do assunto; quem viu pela Globo, não entende o bafafá.

Serra teve que assumir o "homem-bomba". Primeiro disse que não o conhecia, mas após Paulo Vieira dar entrevista ao jornal Folha de São Paulo, dizendo que "Não se larga um líder ferido na estrada a troco de nada. Não cometam esse erro", Serra teve que assumir o abacaxi.

Desceu "rasgando" na campanha dele.

Paulo Preto é amigo de Aloysio Nunes, senador eleito pelo Estado de São Paulo (PSDB). Ele estava no governo de Serra em São Paulo também. Era diretor da DERSA (Desenvolvimento Rodoviário S/A), empresa criada para planejamento e execução de obras rodoviárias.

O rodoanel é uma dessas obras.

Oito dias antes da inauguração, Paulo Preto foi exonerado do cargo. O motivo? Serra ainda não explicou.

Outra coisa não explicada é que a entrevista dada a jornalista Andrea Michael, da FSP, veio no dia seguinte a matéria exibida no Jornal da Record. A repórter do jornal, em conversa telefônica com o advogado de Paulo Preto, pergunta quais as chances de falar com ele.

- Zero - responde enfaticamente o advogado.

No dia seguinte, lá está ele, Paulo Preto, dando entrevista à Folha. Estranho, muito estranho...

Mais uma: durante o governo FHC, Paulo Preto assumiu cargos de confiança, quando o PSDB era situação. Atuou como Assessor Especial da Presidência e trabalhou quatro anos no Palácio do Planalto, como coordenador do Programa Brasil Empreendedor, conforme revelou a revista IstoÉ.

E agora, Serra?

A coisa está ficando feia para o lado dele. Alianças mal resolvidas e arquivos ainda não revelados mostram uma face de Serra que o Brasil não conhecia.

Que ele tem uma cara, todos sabem. O que as pessoas não sabem que ele, Serra, tem mil caras, milhões desviados quando esteve no governo de SP e FHC e milhares de histórias a serem esclarecidas.

A campanha de Dilma pode explorar o caso Alstom, Sabesp e até mesmo - créditos à Rodrigo Vianna - o caso Suzane Richthofen.

Sim, o pai de Suzane trabalhava na DERSA e o crime pode ter acontecido por disputa de recursos desviados do Brasil para contas secretas no Exterior.

O que espanta esse blogueiro não é o mar de sujeira em que o nome de Serra está envolvido. Ciro Gomes, que hoje está ao lado de Dilma, avisou que ele é sinônimo de baixo nível. Os fatos apresentados recentemente apontam para esse viés.

O que deixa perplexo esse blogueiro é o silêncio unânime da mídia nesses episódios. Não se vê uma página do Estadão abordando o assunto da DERSA; não se vê Eliane Catanhede dizendo que as matérias de Veja e IstoÉ não "têm credibilidade"; não se vê o Casal 45 - William Bonner e Fátima Bernardes - anunciando no Jornal Nacional o nome de Paulo Preto.

O silêncio de Serra revela um político sem escrúpulos e sem um projeto de país. Seu intuito é se apossar do Estado para alimentar a máquina duvidosa que abarca sua campanha. Colocou inclusive a família na história política: vergonhoso.

O silêncio da mídia correligionária do tucano revela uma coisa: o Brasil precisa de uma Ley de Medios. Não só para salvar o governo de Dilma, mas para salvar a democracia brasileira.

Não é possível ter democracia com nove famílias controlando a informação no Brasil.

Eduardo Pessoa

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