24 de nov de 2010

Brasília: a chaga do preconceito


Quem vem a Brasília, se espanta com a habilidade política de JK, com a criatividade de Lúcio Costa, a inovação de Burle Marx e Athos Bulcão e a ousadia e inteligência de Oscar Niemeyer.

De um conjunto de fazendas tomadas pela vegetação do cerrado, se transformou no 8º município mais rico do Brasil (apesar dos equívocos, já que Brasília não é um município e o Distrito Federal não é um estado).

O que os turistas e também moradores da cidade não sabem - ou sabem, mas ignoram - é que as curvas elaboradas por Niemeyer foram erguidas por mãos nordestinas.

As mesmas mãos vilipendiadas nas últimas semanas por comentários esdrúxulos proferidos por Mayara Petruso e pela professora da USP, Janaína Paschoal, que veio em defesa de Petruso na Folha.

Agnelo Queiroz, governador eleito pelo PT-DF, cuja origem é baiana, também é alvo de preconceitos por setores conservadores de Brasília.

A análise é resultado da pesquisa da FSB, divulgada segunda-feira no Correio Braziliense, mostrando que Agnelo tem a confiança de 79% dos entrevistados. Eles acreditam que o candidato do PT fará um bom governo, em especial na área da saúde pública.

Existem, porém, 4% dos entrevistados que acham que Agnelo fará um governo ruim ou péssimo. São os mesmos 4% que lêem a Folha, o Estadão e que controlam a informação no Brasil.

Esse grupo com muito poder, mas minoritário em quantidade numérica, lutará contra o "mal necessário" que é o desenvolvimento da cidade, políticas públicas na área de saúde e transportes, problemas crônicos de Brasília.

Os mesmos que clamam por mudanças são os que se beneficiam com a ausência de inovação. O preconceito contra os nordestinos, negros, homossexuais e bolivianos está apenas começando.

José Serra e sua campanha política semearam o ódio e a intolerância no seio da vida política brasileira. Instalou-se um caminho sem volta em nosso desenvolvimento: a chaga do conservadorismo.

Quem viver, verá!

Eduardo Pessoa

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