7 de mai de 2010

Retomando o discurso... (BBB)

Passados quase dois meses do fim do Big Brother Brasil 10, retomo a figura do Marcelo Dourado. Vencedor da última edição do programa, Dourado ficou conhecido por seu jeito ríspido, direto e por seus comentários polêmicos. Muitos telespectadores e frequentadores das redes sociais como Twitter criticaram seu comportamento. Se ele é ou não homofóbico é assunto para outra conversa. Uma coisa é fato: Dourado é resultado de uma forma de pensamento que associa homossexualidade a AIDS.

A AIDS - Síndrome da ImunoDeficiência Adquirida - como é conhecida a doença, foi reconhecida nos EUA nos anos 80. Alguns anos antes já havia registro de um jovem de 15 anos que morreu com a doença. A sociedade norte-americana ignorou largamente a epidemia. Em 1982 a história mudou. O primeiro grupo de pessoas infectadas pelo vírus eram homossexuais masculinos. As pesquisas científicas demoraram um ano para apresentarem suas primeiras conclusões.

O que fazer enquanto a ciência não tem a explicação?

Ora, o pensamento coletivo, compartilhado pela sociedade norte-americana - e de outras também - foi de associar a doença ao homossexualidade. "Permissividade sexual", era o que os conservadores bradavam nos veículos de comunicação. Insinuaram que a doença era "o preço que a América pagava pela libertinagem sexual".

Os conservadores se animaram e logo trataram de excluir os homossexuais e de tratá-los como "estranhos" e "infectados". Eram perigosos. O fator biológico do vírus contribuiu para excluí-los ainda mais - infecção pelo sangue, sexo anal, esperma, etc... A mídia ajudou muito a difundir essa idéia.

Vale lembrar que durante esse período vários prefeitos, deputados e governadores homossexuais disputavam cargos eletivos. Para puritanos e direitistas, o fato da doença ter atingido homossexuais e o desaparecimento de políticos homossexuais para cargos públicos foi um prato cheio para propagar o preconceito.

Os casos de AIDS ultrapassaram esse primeiro grupo. Crianças e adultos heterossexuais também figuraram entre os infectados. Foram descobertos casos de infecção em parceiros heterossexuais, estáveis e casados. "E agora?", se perguntava a elite. Já era tarde: o desastre do estereótipo estava feito. Mesmo se alastrando pelo mundo todo e infectando pessoas de diversas nações e etnias, não conseguiram cortar esse mal pela "raíz".

Mas o que isso tem a ver com o Dourado? É provável que ele não seja homofóbico, mas seus discursos denunciam o preconceito. Quando ele diz que "hetero não pega AIDS", automaticamente reflete esse preconceito difundido pela mídia e socialmente enraízado de que a doença está intimamente relacionada com o homossexualidade. De fato não está.

Dourado mereceu ganhar o prêmio de R$ 1,5 milhão, pois soube se adaptar melhor as situações e soube "jogar" com a necessária frieza. Repito: é provável que ele não seja homofóbico. Seus discursos? Sim.

Eduardo Pessoa

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  2. Esses dias estava pensando nisso que vc falou.E não se pode esqueçer que as pessoas pegam ou tem pessoas q nascem com a doença.È pq sempre fazem essa ligação com o homosexualismo......e pq não pode ter pegado por uma esposa ou marido infiel?
    E com certeza as pessoas não pegam pq querem.AS pessoas tem q ter um cuidado maior pode acontecer qm qualquer pessoa por um erro bobo.E deve-se combater esse preconceito!!!Adorei seu texto ^^

    ResponderExcluir